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Documentário Dr. Ramiro Salgado
Não me recordo com precisão quando nasceu a ideia para a realização do Documentário sobre o meu Avô, Dr. Ramiro Salgado. Terá sido nos princípios de 2011. E tal como a grande maioria das ideias, terá nascido num momento sem particular preparação. Cruzamento de sentimentos, de memórias e reflexões sobre a vida.
No Verão de 2011, a minha Mãe veio visitar-me ao Kenya e foi na Praia de Diani, a Sul de Mombasa, que discutimos a ideia e escrevemos o ‘Brief’ para o Documentário. Tudo parecia tão vago...
A escolha do realizador foi instantânea. O Nuno Beira, amigo de longa data, além de ter características criativas e técnicas invejáveis, conhece bem a Família assim como Trás-os-Montes, onde nasceu a sua própria Mãe. Esse entender dos sabores, cheiros e cores transmontanas era fundamental. E o Nuno tem um potencial incrível, e muito ainda por despoletar.
No Natal de 2011 apresentámos a
ideia à Família Salgado por alturas da nossa reunião anual. Sem a aprovação dos filhos do Dr. Ramiro Salgado e o apoio dos netos e netas, meus primos, nunca poderia partir para tal epopeia. Lembro bem esse dia. A minha mala não tinha ainda chegado de Nairobi e tive de vestir as únicas calças que tinha disponíveis: umas calças de ganga com rasgos já históricos. O Tio Miro sempre que passava por mim repetia sempre “estas calças são uma vergonha”.
Porquê? Porquê um “ Documentário sobre a Vida e Obra do Dr. Ramiro Salgado”?
O meu Avô faleceu em Junho de 1974, poucos meses depois do 25 de Abril. Eu nasci em 1976. Nunca conheci o meu Avô, de forma física, digo.
Não obstante, sempre cresci com a imagem do meu Avô. Terá sido ele o diapasão de muitos dos valores que me formaram e, penso eu, formaram também os meus primos. Esses valores unem-nos, mesmo quando a distância nos afasta.
O meu Avô sempre esteve e está a meu lado. Através das histórias que foram passando. As mais inocentes contadas pela minha Mãe, as mais engraçadas pela boca da minha Tia Laila ou do Tio Armando. As mais eloquentes pelo meu Tio Paulo ou Tio Ramiro Manuel. E tantas outras, quiçá mais relaxadas, contadas pelo Compadre Maias e outros conterrâneos do Larinho e de Moncorvo.
A maior parte das pessoas que conheceu o Dr. Ramiro Salgado refere-o como a pessoa mais extraordinária que já conheceu. Humanista, pedagogo. Bondoso, atento. Pensativo, viajante. Poderoso. Humano, com virtudes muitas, e alguns defeitos.
A História tinha de ser contada tal qual a conheci. Naqueles dias entre o Larinho, Moncorvo, entre ladeiras a caminho do Sabor. Pelas palavras de quem o conheceu, especialmente pelos meus Tios, Tia e minha Mãe.
A eles lhes devemos tanto.
Nuno Ramiro Salgado Bernardo